sexta-feira, 20 de novembro de 2009

A (minha) consciência Negra


“...Se tu soubesse o valor que o preto tem tu tomava banho de piche, branco, e ficava preto também...”

Imagine se um dia invadissem a sua casa e levassem você embora, pra um país muito distante e muito diferente do seu, com uma língua que você não fala e costumes que você não conhece. Nesse lugar as pessoas olham como nojo pra você, te obrigam a trabalhar exaustivamente, a se alimentar de restos, a dormir no chão e tratam você com violência brutal. Você terá que abandonar sua religião, suas festas, sua cultura, nunca mais verá sua família, amigos ou sua casa outra vez e vai viver cativo, sem vontade própria, até o dia em que morrer.
Eu penso nisso quando escuto um mestre de Maracatu tirando uma loa, quando vejo a habilidade de um jogador na roda de capoeira, quando toco meu tambor lá no Batuque e nessas horas meu coração bate tão forte e eu fico feliz de verdade porquê percebo que todas essas coisas terríveis, toda a arrogância do povo branco, a opressão dos senhores e sinhás, o racismo, não foi forte o suficiente pra destruir o povo de Zumbi, tudo isso foi imensamente menor que sua cultura e sua raça que deu um jeito de se misturar com as outras e permaneceu vivo e maravilhoso.
A história conta que Palmares se entregou, que Zumbi foi capturado e morto, mas mesmo assim, mesmo sem seu líder na guerra, eles resistiram. Eu sou uma prova de que eles resistiram. Meu pai me chama de “neguinha” as vezes, e minha pele é branca, mas ele sabe que no meu sangue, que é dele, está a herança desse povo lindo.. Sou fruto de sua resistência. Ainda resisto, em memória deles. Sou um pedaço deles. Tenho consciência disso.
Axé!

Um comentário:

  1. que massa seu texto... e os literários? vai mostrar ao mundo dona AZEVEDO sua obra literária de contos e descontos? abração, parabens pelo blog, atriz genial, escritora fenomenal, menina especial!!!

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